jolly roger
terça-feira, 26 de abril de 2011
Agente Smith o pirata do Matrix.
Neste post eu irei comentar sobre o agente Smith do filme Matrix e a pirataria marítima. Inicialmente podemos pensar que não existe nenhuma relação entre os dois objetos aqui tratados, porém ao longo do texto demonstrarei que ambos possuem diversas características em comum.
Como podemos notar no filme Matrix, o agente Smith era um erro na programação do sistema, ele era uma incógnita a qual o programador não conseguia resolver.Ao passar do tempo o agente Smith foi se tornando cada vez mais forte e influente no sistema, ao ponto de poder se reproduzir e querer tomar conta de todo o Matrix.
Como o agente a pirataria marítima é um erro sistêmico, porém não existe um programa para “deletar” este erro.
Inicialmente a pirataria marítima era um erro regional, onde os próprios impérios lutavam para que este erro sistêmico acabasse mas, como o agente Smith, a pirataria marítima pode ser fraca ou forte dependendo da situação do próprio sistema.
Outra característica em comum que podemos notar entre o agente Smith e a pirataria marítima é que quando ambos voltam a influenciar o sistema de uma maneira agressiva, ambos voltam causando muito mais danos do que da última vez, ou seja eles voltam mais agressivos, utilizando novas técnicas e um grau cada vez maior de violência.
No retorno da pirataria marítima ela demonstra-se mais hostil e violenta, atrapalhando a relação das colônias com as metrópoles no sistema que era chamado de mercantilismo. Como vimos o gente Smith e a pirataria voltam cada vez mais forte, logo este período pode ser chamado de idade de ouro da pirataria, devido aos grandes problemas que essa atividade causava.
Logo após este período houve um upgrade do Matrix, o sistema evoluiu e a pirataria apesar de estar presente pouco influenciou neste novo sistema vigente.
Como podemos ver no filme Matrix Revolution o agente volta mais forte e habilidoso, com uma gana cada vez maior pelo domínio do sistema.
Como o agente Smith a pirataria marítima também voltou, mas agora sua influência é muito maior e mais danosa para o sistema. Ela esta mais forte belicamente, tecnologicamente e politicamente, os alvos e as táticas são mais ambiciosos e a sua influência no sistema capitalista esta muito maior do que no antigo sistema.
Hoje em dia a pirataria marítima esta presente nas maiores vias marítimas do mundo, influenciando as transações comerciais e as relações entre os Estados, logo podemos considerar que estamos vivendo a idade de diamante da pirataria marítima.
O que nos resta agora é conscientizar os governos, ongs e a população sobre esse erro sistêmico ou podemos esperar um Neo para salvar o Matrix.
Fontes:
Matrix
Matrix Reloaded
Matrix Revolutions
KONSTAM, Angus. Piracy: the complete history. Great Britain: Osprey Publishing, 2008
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Barba Negra, o pirata demoníaco!
Em seus diversos ataques Edward Teach demonstrou ser uma das primeiras pessoas a utilizar a guerra psicológica. Os relatos dizem que ele era uma pessoa forte, alta, com cabelos longos e negros além de utilizar uma grande barba trançada. Tal aparência lhe dava um aspecto demoníaco. É dessa aparência rude e aparentemente grosseira que vem o apelido Barba Negra.
Além de sua aparência ele utilizava outros recursos para intimidar os oponentes que normalmente rendiam se aos ataques ou eram totalmente destruído pela sua tripulação.
Este trecho do livro “Piratas: Uma história geral dos roubos e crimes de piratas famosos: A política interna, a disciplina de bordo, as façanhas e aventuras de 19 criminosos célebres da Era de Ouro da pirataria (1717-1724)”, demonstra bem a aparência monstruosa do Barba Negra antes de um ataque: “Na hora da batalha, jogava nas costas uma cartucheira em cruz, com três coldres para pistolas. Nas abas do chapéu, amarrava fósforos e mexas acesas. Fazia o mesmo nas pontas das tranças da barba. Assim, sua face peluda e iluminada projetava um olhar ferino, transformando o pirata numa figura que desafiava a imaginação dos inimigos, sendo temida como expressão da fúria do inferno” (JOHNSON,2004, p.93)
Era hasteando a sua bandeira e com essa aparência demoníaca que o Barba Negra abordava os navios mercantes que normalmente rendiam-se para evitar uma batalha, onde provavelmente a tripulação sairia no prejuízo.
Barba Negra era considerado um dos piratas mais perigosos de seu tempo e não era um exemplo de cidadão cumpridor das leis, porém existe um grupo de pessoas que adorava a sua presença.
Enganados aqueles que estão pensando que o Barba Negra não chamava a atenção das mulheres. Apesar da sua aparência desleixada e assustadora as mulheres achavam ele uma pessoa extremamente encantadora e irresistível, ao ponto de ser cercado por algumas delas ao entrar em alguma loja ou taverna.(KLEIN, 2007:117).
Relatos contam que o governador da Carolina do Norte, Charles Éden, realizou uma cerimônia a bordo do Queen Anne´s Revenger, onde o Barba Negra casou-se com uma garota de 16 anos e que este seria o seu décimo quarto casamento.
Fontes:
JOHNSON, Charles. Piratas: Uma história geral dos roubos e crimes de piratas famosos: A política interna, a disciplina de bordo, as façanhas e aventuras de 19 criminosos célebres da Era de Ouro da pirataria (1717-1724). Porto Alegre: Artes e Ofícios ,2004.
KLEIN, Shelley. Os piratas mais perversos da historia. São Paulo: Planeta do Brasil,2007.
quinta-feira, 24 de março de 2011
A vida e os grandes feitos de Edward Teach.
Edward Teach sempre foi reconhecido pelos seus atos de coragem e brutalidade, porém a peculiaridade de sua aparência lhe rendeu um apelido que com certeza o tornou um dos piratas mais conhecido de todos os tempos. “Relatos de testemunhas dizem que era um homem grande, alto, com longa barba negra que era enfeitada em tranças com fitas”.(COUTO,2006, p.61)
Nascido em Bristol na Inglaterra, Teach iniciou a sua vida marítima na Guerra de Secessão Espanhola servindo como corsário inglês, apesar das suas grandes habilidades ele nunca teve uma promoção o que o influenciou a iniciar uma vida como pirata. Com o fim da guerra começou a atacar os navios perto da Jamaica.
Em 1716 Teach conhece o capitão Bejamim Hornigold em New Providence, Bahamas e começa a realizar pilhagens muito lucrativas partindo sempre do porto de Nassau.
Em 1717 eles roubam um navio negreiro que saia da Guiné francesa e tinha como destino a ilha de Martinica. Este navio negreiro chamava-se Concorde e era de origem francesa.( o Concorde pesava entre 200-300 toneladas e possuía 14 armas.).
No mesmo ano, Hornigold resolve se entregar ao governo de Providence afim de obter um perdão do governo, o que o absolveria de todas as acusações de pirataria. Sozinho Edward Teach equipa o navio com 40 canhões e o batiza de Queen Anne's Revenge."... o Queen Anne´s Revenger, eriçada com 40 armas de fogo: era o mais poderoso navio de guerra nas águas das Carolinas"( BRYAN; KONSTAM, 2003, p.3)
No ano de 1718 Teach rouba diversos navios entre a Virginia e a Carolina do Norte, cidade a qual ficou aterrorizada quando a população conseguiu ver um ataque que Teach realizou contra o Crowley, um navio mercante comandado por Robert Clark.
Os seus ataques são tão lucrativos e eficientes que no mesmo ano Teach já era o capitão de uma pequena esquadra que foi assim descrita em uma carta enviada pelo governador de Bermudas para o Conselho de Comércio e Agricultura. “um de Tatch (Teach) com quem está o mestre Bonnett de Barbados, em um navio de 36 canhões e trezentos homens, juntamente com uma chalupa de doze canhões e 115 homens, e dois outros navios, em cujo total imagina-se haver mais ou menos setecentos homens”.
Com esta esquadra ao seu dispor Teach faz um bloqueio durante duas semanas em um dos portos mais movimentados das colônias do Sul, o porto de Charleston (Carolina do Sul). O resultado dessa ação foi o assalto de no mínimo oito navios mercantes. Nada foi feito para deter os navios de Teach porque ele fez Samuel Wragg (um membro do conselho municipal do porto) de refém que acabou sendo solto em troca de um armário de remédios.
Após sair da Carolina do Sul, Edward Teach vai para Ocracoke na Carolina do Norte e cria uma base em terra onde ele vive pacificamente com a sua mulher. Nesta região ele e seus navios bloqueiam a região de Baía de Pamlico (é uma lagoa localizada na costa Leste dos Estados Unidos que esta separada do Oceano Atlântico por alguns grandes bancos de areia e da acesso ao continente). Após o bloqueio todos os navios que quisessem entrar ou sair da Baía de Pamlico eram detidos pela esquadra, ou eles eram roubados ou eles deveriam pagar um grande tributo para poder passar.
Apesar de causar este alvoroço Teach não é capturado porque ele tinha negociado a segurança de sua frota com o governador da Carolina do Norte, Charles Éden, que era amigo de Teach. Charles Éden recebia parte da pilhagem e dos tributos arrecadados por Edward Teach e em troca oferecia uma grande proteção para o pirata na região, além de ignorar as reclamações feitas pela população e pelos navios mercantes que viviam naquelas região.
Ignorados pelo governador da Carolina do Norte, um grupo de moradores da cidade da Bath, que constantemente era atacada pelos piratas além de ser a cidade onde os piratas cometiam as mais diversas atrocidades como escândalos, bagunças e festas, foi conversar com o Governados da Virginia, Alexander Spotswood para pedir que alguma atitude fosse tomada.
Mediante o pedido da população de Bath, Spotswood convoca uma assembléia e oferece uma recompensa para aquele que conseguir capturar qualquer pirata no período de um ano.
No dia 17 de novembro de 1718 o capitão Robert Maynard sai de Kicquetan no rio James na Virginia, comandando dois navios, o Lime e o Pearl e vai para Ocracoke com o objetivo de capturar Teach.
Dia 21 ele avista a esquadra de Teach e inicia uma sangrenta batalha que termina com a prisão de 15 piratas e com a morte de Edward Teach.
Orgulhoso de ter ganho a batalha, Maynard corta a cabeça de Teach e volta para Virginia com sua cabeça pendurada no bico da proa de seu navio.Como prêmio por ter conseguido acabar com a esquadra de um dos maiores piratas da história a tripulação dos navios ficou com a carga que estava com Teach, 2500 libras e mais algumas recompensas que foram pagas pelo governador da Virginia.
Fontes:
BRYAN, Tony; KONSTAM, Angus. The Pirate Ship 1660-1730. Great Britain: Osprey Publishing, 2003
COUTO, Sergio Pereira. A história secreta dos piratas. São Paulo: Universo dos livros,2006.
JOHNSON, Charles. Piratas: Uma história geral dos roubos e crimes de piratas famosos: A política interna, a disciplina de bordo, as façanhas e aventuras de 19 criminosos célebres da Era de Ouro da pirataria (1717-1724). Porto Alegre: Artes e Ofícios ,2004.
KLEIN, Shelley. Os piratas mais perversos da historia. São Paulo: Planeta do Brasil,2007.
MORETTI, Fernando. Piratas: uma história secreta. São Paulo: Editora Escala,2010.
quinta-feira, 10 de março de 2011
International Maritime Bureau
Em 1981 foi criado o International Maritime Bureau (IMB) que é uma extensão da International Chamber of Commerce (ICC) que é um órgão que tem como objetivo o aumento e o desenvolvimento do comércio mundial.
O IMB é uma organização não governamental fundada com o objetivo de lutar contra todos os tipos de crimes marítimos afim de garantir que todas as transações comerciais possam acontecer sem nenhum tipo de problema. Para atingir este objetivo, este órgão realiza alguns estudos sobre os locais mais afetados pela pirataria e traça estratégias visando a diminuição da vulnerabilidades dos navios, além de oferecer um serviço de autenticação de documentos, cursos e consultorias.( International Maritime Bureau)
Devido ao número de ataques que vem crescendo a cada ano e pensando na eficiência de seus serviços o IMB fundou o Piracy Reporting Centre (PRC) em 1992. Este centro esta localizado em Kuala Lumpur na Indonésia e rapidamente se tornou uma referência quando o assunto é o combate à pirataria marítima.(Murphy, 2007:21).
O objetivo do PRC é funcionar como um primeiro contato entre o navio e uma instituição que combata a pirataria. Este contato pode ser feito para reportar um ataque, um movimento suspeito ou alguma tentativa de ataque. Após receber as informações enviadas pelo navio, o PRC ira tomar as medidas cabíveis para prevenir ou ajudar o navio a não ser atacado “O PRC trabalha com vários governos e agências de segurança pública e esta envolvido na troca de informações, na tentativa de reduzir e finalmente erradicar esse crime.”(IMB Piracy Reporting Centre)
Este centro fica aberto vinte e quatro horas e realiza diversas atividades gratuitas a fim de alertar os navios quais são as regiões onde a pirataria marítima é mais intensa. Os principais serviços oferecidos pelo PRC são:
· Elaboração de relatórios diários sobre a situação de pirataria e assaltos à mão armada a navios transmissões Cia do Inmarsat-C cérvice SafetyNET
· Reportar pirataria e assaltos à mão armada em incidentes no mar para aplicação da lei e do IMO
· Ajudar a lei local a prenderem piratas e acompanhá-los a justiça
· Assistir aos membros da tripulação cujos barcos tenham sido atacados
· Fornecer atualizações mensais sobre atividades de pirataria via internet
· Publicar relatórios trimestrais e anuais abrangendo estatísticas detalhadas sobre pirataria. (ICC INTERNATIONAL MARITIME BUREAU. Piracy and armed robbery against ships: annual report 1 January-31 December 2008, 2009, p.2)
Apesar de funcionar apenas com contribuições voluntárias, podemos perceber que o IMB Piracy Reporting Centre realiza diversos trabalhos visando acabar com a pirataria marítima, porém para que os seus objetivos possam ser alcançados é necessário que as pessoas, as organizações internacionais e principalmente os governos dêem mais importância para esse instituto que recebe pouco reconhecimento pelas suas grandes ações. “Graças ao financiamento que recebe, o PRC tornou-se o principal rastreador de pirataria do mundo, mesmo que não pareça”(SEKULICH,2009:84).
Fontes:
ICC INTERNATIONAL MARITIME BUREAU. Piracy and armed robbery against ships: annual report 1 January-31 December 2008. London,2009.
IMB Piracy Reporting Centre. Disposto em http://www.icc-ccs.org/home/piracy-reporting-centre. Acesso em 9/03/2011
International Maritime Bureau.Disposto em http://www.icc-ccs.org/home/imb. Acesso em 9/03/2011
MARCHESE, Bruno Horvath. Pirataria marítima, um fenômeno histórico que afeta os Estados e suas relações, São Paulo, FAAP, 2009, 95p.
MURPHY, Martin N. Contemporary piracy and maritime terrorism. London: The International Institute for Strategic Studies, 2007
SEKULICH, Daniel. Os piratas do século 21: terror nos mares. São Paulo: Landscape, 2009. Tradução: Isabel Alves.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
International Maritime Organization.
No último post citei duas definições sobre o conceito de pirataria marítima, agora separei um espaço para falar sobre as duas agências citadas e quais são as atividades que elas realizam para combater a pirataria marítima.
Iniciarei falando sobre o IMO (International Maritime Organization) que foi fundado em Genebra no ano de 1948 com o objetivo de fomentar e incentivar a cooperação entre os diversos Estados através de regulamentações e padrões que possam garantir a segurança marítima e a eficiência do transporte naval.
Para que esta agência consiga atingir o seu objetivo ela conta com a participação de 167 países, além de ser uma agência ligada a ONU. Um importante aspecto dessa agência é que todas as suas ações são tomadas através de um consenso entre os países membros, o que demonstra uma legitimidade e uma efetividade em suas ações.
O IMO iniciou as atividades contra a pirataria em 1998 através de reuniões que foram feitas com alguns lideres de governo e algumas análises que tiveram como objetivo a promoção de acordos entre os governos para que eles possam desenvolver algumas ações contra a pirataria marítima.
Esta iniciativa de promover a cooperação entre os Estados acabou causando diversos resultados. Os principais resultados dessa cooperação foi a criação de alguns acordos regionais, porém os mais importantes foram:
*A criação do Regional Cooperation Agreement on Combating Piracy and Armed Robbery against ships in Asia (RECAAP) que é um acordo entre 16 Estados asiáticos que esta baseado em três pilares que são: Compartilhamento de informações, Capacidade de Construção e Arranjos Cooperativos.
*A criação do Código de Conduta Djibouti que visa reprimir as ações dos piratas que agem no Oceano Índico Ocidental, Golfo de Aden e no Mar Vermelho. Os objetivos desse acordo é facilitar a comunicação entre os Estados, melhorar as condições dos Estados para que eles estejam melhores preparados para deter as ações dos piratas, prender e processar os piratas, garantir uma consciência marítima nos Estados onde existe um grande número de piratas e melhorar a capacidade das guardas costeiras.
Sabendo que a pirataria marítima é um problema que afeta todos os Estados do Sistema Internacional o IMO pretende realizar algumas ações para diminuir drasticamente a ação dos assaltantes. Para isso ela ira incentivar algumas ações na Somália através do Conselho de Segurança da ONU, o Escritório Político da ONU em relação a Somália, o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas e o Grupo de Contato sobre a pirataria na Somália.
As ações multilaterais que são promovidas pelo IMO são as mais apropriadas para combater a pirataria e se um dia esse problema for extinto com certeza será através das ações de diversos Estados que irão agir com o mesmo objetivo.
Fontes:
INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION. Piracy and armed robbery against ships. Disposto em http://www.imo.org/OurWork/Security/PiracyArmedRobbery/Pages/Default.aspx. Acesso em 23/02/2011
MARCHESE, Bruno Horvath. Pirataria marítima, um fenômeno histórico que afeta os Estados e suas relações, São Paulo, FAAP, 2009, 95p.
RECAAP ISC. About Recaap isc. Disposto em http://www.recaap.org/index_home.html. Acesso em 23/02/2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Os conceitos de pirataria marítima moderna.
Para que a pirataria marítima moderna possa ser combatida de uma melhor forma é importante que se defina o que é a ação de um pirata.
O conceito de pirataria marítima apesar de ser aparentemente simples ainda é muito discutido(podemos dizer que a pirataria marítima nada mais é do que qualquer ação contra a lei que é feita no mar). Para entendermos melhor as ações dos piratas deveríamos encontrar uma definição mais exata sobre estas ações. Este assunto é tão importante que em 2006 a Casa dos Comuns do Reino Unido da comissão de transportes reportou que é importante que se ache alguma definição única para que se possa classificar os incidentes violentos que ocorrem nos mares porque tal classificação pode ser muito confusa.
Para melhor entendermos este fenômeno devemos nos conscientizar que para esta atividade possa acontecer existem alguns fatores específicos. Um ato de pirataria marítima sempre visa a obtenção único e exclusiva de dinheiro, existe uma fraqueza legal e jurisdicional no Estado, a geografia é favorável, normalmente o Estado esta sofrendo com algum conflito ou alguma desordem, as leis não são executadas adequadamente, existe uma política do meio ambiente permissiva, aceitação cultural e existe uma recompensa para as pessoas que se arriscam nesta atividade.
A partir dessas características vários escritores deram a sua definição sobre este ato, como exemplo podemos citar duas definições encontrado no livro “Contemporary piracy and maritime terrorism: The threat to international security” de Martin N. Murphy, o primeiro é de um jurista britânico que diz “a pirataria é qualquer violência armada no mar que não é um ato legitimo de guerra” e a definição de J.L Anderson que caracteriza “a pirataria como um subconjunto da violenta depredação marítima que não é parte de uma guerra declarada ou reconhecida”.
Entre as varias definições de pirataria marítima existem as duas mais utilizadas, que apesar de ser as mais importantes e as melhores ainda apresentam uma importante divergência entre elas.
A do IMB (International Maritime Bureau) que considera pirataria qualquer tentativa de ataque realizada contra navios, independente se o navio esta dentro ou fora da jurisdição de um Estado e diz: “Um ato de abordagem ou de tentativa de abordar qualquer navio com a intenção de cometer roubo ou qualquer outro crime e com a intenção de usar a força na execução do ato”(ICC INTERNATIONAL MARITIME BUREAU, 2009, p. 3)
E a do IMO (International Maritime Organization) que estabelece que um ato de pirataria acontece apenas fora da jurisdição de um Estado, e diz que as “Definições de pirataria consistem nos devidos atos: a) qualquer ato ilegal de violência ou detenção ou qualquer ato de depredação cometido por fins privados pela tripulação ou passageiros de um navio privado ou uma aeronave privada, e diretamente (i) no alto mar, contra outro navio ou aeronave ou contra pessoas ou propriedades a bordo de tal navio ou aeronave (II) contra um navio, aeronave, pessoas ou propriedades em algum lugar fora da jurisdição de qualquer Estado;(b) qualquer ato voluntário de participação na operação de um navio ou uma aeronave com o conhecimento dos fatos o tornando um navio pirata ou aeronave pirata; (c) qualquer ato de incitar ou intencionalmente facilitar o ato descrito nos subparágrafos (a) e (b" (INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION.)
É neste cenário de divergências conceituais que os Estados, as Ong´s e as instituições tentam combater este problema de difícil solução.
Fontes:
ICC INTERNATIONAL MARITIME BUREAU. Piracy and armed robbery against ships: report for the period 1 January-30 June 2009. London,2009.
INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION. Piracy and armed robbery against ships. Disposto em http://www.imo.org/OurWork/Security/PiracyArmedRobbery/Pages/Default.aspx. Acesso em 9/02/2011
MURPHY, Martin N. Contemporary piracy and maritime terrorism. London: The International Institute for Strategic Studies, 2007
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
A importância da pirataria marítima e o seu combate na Somália – Parte 2
Como escrevi anteriormente, na segunda parte da resenha eu falarei sobre as operações que foram e que estão sendo realizadas na Somália, segundo o texto “O regresso em força da Pirataria Marítima” do Capitão-de-Fragata Henrique Peyroteo Portela Guedes.
Considerando o grande perigo das ações dos piratas na Somália a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) efetuou diversas ações na região do Chifre da África e é importante relatar essas operações para os leitores com o objetivo de conscientizar as pessoas de que hoje em dia estão acontecendo algumas ações contra a pirataria, apesar de pouco se comentar sobre o assunto.
O Organismo Internacional começou com a operação Allied Provider que aconteceu entre 24 de outubro a 12 de dezembro de 2008 no Mar Arábico e teve como objetivo garantir a entrega de 30.000 toneladas de ajuda humanitária à Somália que foram entregues por navios do "Programa Alimentar Mundial" da ONU, esta operação foi feita através das ações de diversos países como Itália,Grécia, Turquia e Reino Unido. Após está ação aconteceu a operação "Allied Protector” que foi uma ação multilateral envolvendo : Portugal, Alemanha, Holanda, Espanha, Polônia, Noruega, Dinamarca, Reino Unido e Estados Unidos. Tais Estados juntaram alguns de seus navios desde 23 de Janeiro de 2009 e formaram uma coalizão para aumentar a segurança nas rotas comerciais na área do Chifre da África através de treinamentos em conjunto e operações que visão a proteção dos navios mercantes. Graças as técnicas de patrulha e o grande poderio naval que foi utilizado, essa operação deu certo e com isso ela será expandida e será realizada ate o ano de 2012 com o nome de Ocean Shield.
Uma outra operação, batizada de “Atalanta”, foi iniciada no dia 13 de dezembro de 2008 e envolve países como o Reino Unido, a França, a Grécia, a Suécia, a Espanha, a Holanda, a Alemanha, etc. Ela representa uma grande evolução no combate a pirataria porque é a primeira vez a União Européia toma alguma atitude para combater este tipo de crime e para isso ela esta tratando o assunto como sendo parte da Política Européia de Segurança e de Defesa, o que demonstra mais uma vez a importância do combate da pirataria marítima moderna. Os principais objetivos dessa operação é proteger os navios mercantes que passam pela região da Somália, atuando na prevenção, dissuasão e repressão dos assaltantes da região; e proteger os navios do "Programa Alimentar Mundial" que tem como objetivo alimentar a população da Somália.
Fontes:
GUEDES, Henrique Peyroteo Portela. O regresso em força da Pirataria Marítima. Revista da marinha, 2009. Disposto em http://www.revistademarinha.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1154:o-regresso-em-forca-da-pirataria-maritima&catid=104:marinha-de-guerra&Itemid=293. Acesso em 20/01/2011.
MARCHESE, Bruno Horvath. Pirataria marítima, um fenômeno histórico que afeta os Estados e suas relações, São Paulo, FAAP, 2009, 95p.
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